Pesca

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Instrumentos de Trabalho do Pescador

Muito se fala em sorte nas pescarias. Partindo do princípio de que sorte é o encontro da oportunidade com o preparo, poderíamos dizer que boa parte dessa virtude é contar com um bom equipamento. As opções são incontáveis, adequando-se a escolha da espécie que se pretende capturar, às características do local e até as preferências pessoais de cada pescador. 
Do anzol à vara, do alicate à vestimenta usada, cada item que compõe o conjunto é importante para fechar o ciclo entre peixe e pescador. Hoje, o esportista conta com carretilhas com recolhimento elétrico e controle digital, varas fabricadas com tecnologia de aeronaves espaciais, passadores de ligas metálicas ultra leves e resistentes, linhas com espessuras próximas às de fios de cabelo - mas quase tão fortes como aço - e iscas artificiais tão realistas que, bem antes de capturar o peixe, já fisgaram o pescador, por seu acabamento e perfeição. Abaixo irei descrever um dos equipamentos necessários para o pescador utilizar nas variadas modalidades de pesca nas águas brasileiras.

VARA

Usada para lançar a isca o mais próximo possível do alvo, executar as fisgadas com a máxima rapidez e potência e esgotar as forças do mais valente adversário, a vara de pesca é o "prolongamento dos braços" do pescador. Do bambu ao kevlar, passando pelas fibras de vidro e grafite (ou carbono), sua evolução alcançou níveis de leveza e resistência compatíveis com a tecnologia usada nos carros de fórmula 1. Entre as muitas especificações, comprimento, ação, capacidade de carga, casting e material de fabricação são os itens decisivos na escolha do modelo certo para cada pescaria, considerando as características físicas do peixe, os hábitos da espécie, seu habitat e o peso da isca ou chumbada. Para cada uma das variáveis acima, há uma resposta. Elas podem ser telescópicas, com divisão ao meio (emenda), inteiriça, de fibra de vidro, carbono, ligas de carbono, bamboo, com cabos de cortiça, cabos de EVA ou borracha, ponteira de roldana, passadores de titânio, porcelana, alumínio, etc.

Comprimento: está diretamente ligado à distância no arremesso (quanto mais longa, maior a distância alcançada), ou, inversamente, à precisão almejada (varas mais curtas são mais "precisas"), também levando em consideração a segurança, o conforto e o espaço disponível para pesca (acima e dos lados).

Ação: é identificada a partir da reação da vara quando submetida a esforços. Ela pode ser firme ou flexível, ou arcar a partir da base (ação lenta), do meio do blank ou corpo (ação média ou regular) ou apenas na ponta (ação rápida). 

Capacidade de carga: em linhas gerais, as varas são divididas nas categorias leve, média e pesada. Numericamente, a capacidade de carga de uma vara diz respeito ao intervalo de resistências de linha para a qual é indicada: é a popular "libragem" à qual muitos pescadores se referem. Uma vara com a inscrição "10 - 17 lb", por exemplo, é indicada para linhas de 10 a 17 lbs de resistência. Isso quer dizer que o pescador deve estar ciente que o caniço pode quebrar se for submetido a uma tração superior a 17 libras. Muitas vezes, em situações como a pesca de tucunarés-Açu na Amazônia e a pesca de fundo de grandes peixes marinhos, costuma-se usar linhas muito acima da capacidade de carga da vara, o que invariavelmente resulta em quebras se a fricção não estiver regulada para ceder antes do esforço máximo suportado pelo equipamento.

Casting (capacidade de arremesso): como diz o nome, informa o intervalo de pesos indicado para o arremesso. A notação pode ser em gramas (g) ou onças (ounces ou oz), lembrando que uma onça equivale a 28 gramas. Uma vara pode trazer inscrita, por exemplo, a informação "1/4 - 1/2 oz.", o que quer dizer que é indicada para arremessar de 7 a 14 gramas. Novamente, ao arremessar pesos acima, deve-se entender a somatória de todos os itens que estão sendo efetivamente lançados: isca, chumbadas, chicotes etc.

Material de fabricação: a fibra de vidro representa flexibilidade, enquanto as derivadas de grafite ou carbono têm maior resistência com menos peso; porém, são mais "secas", isto é, mais sensíveis a esforços fora do padrão, quedas e batidas, quebrando com maior facilidade. Existem composições mistas adequadas para tirar o melhor de cada matéria prima.     

Varas de Fly: As primeiras varas construídas em meados do séc. XIX, eram feitas de madeira maciça e somente grandes mudanças poderiam diferenciá-las das que são hoje, como resultado, somente no século XX é que introduziram as fibras de bambu, onde longas lascas, esculpidas em formato triangular com 4, 6 ou 8 elementos, eram coladas uma a uma dando lhe padrão cônico e consequentemente, sua flexibilidade. Somente em 1948, com a descoberta popularização do fiberglass ou fibra de vidro, denotou uma nova era em sua constituição por parte dos fabricantes e pesquisadores e somente na década de 70 é que surgiram as primeiras varas de grafite, superleves e flexíveis, a partir daí, não se parou mais, e novos produtos continuam a ser utilizados, como o MRV, um revestimento sintético utilizados pelos EUA, na construção de submarinos nucleares, e ainda, se tivermos paciência, novos modelos com resistência, flexibilidade e leveza, ainda estarão por surgir, porporcionando grandes emoções e prazer em pescar.

Como sabemos as varas se diferem em classes, de 1 (ultra-light) até 15 (Heavy), e que se dividem em flexibilidades ou ações, vamos defini-las:

Outro ponto a ser observado é o comprimento da vara, está pode estar compreendida entre 7 à 9 pés, e isso é o suficiente para que possamos dar bons arremessos, as mais comumente usadas, tanto por iniciantes como veteranos, são as de 8,5 pés (2,60 m) e 9 pés (2,74 m), são extremamente leves e finas, sendo normalmente feita em duas partes de igual tamanho. Antes de juntar uma parte à outra, o pescador deverá passar um pouco de parafina na junção do macho da vara. Existem ainda varas feitas em três, quatro e até seis partes, o que facilita muito o seu transporte.

Vamos agora definir cada peça composta em uma vara:
 
Blank - É o corpo em si da vara, ou seja, a vara sem acabamento algum.

Reel Seat - Ferrolho de pressão responsável pela conexão da carretilha, podem ser encontrados em alumínio, aço inoxidável, titânio ou plástico.

Grip - Ou cabo, sua função basica é oferecer uma empunhadura confortável, e é dividida em Cigar Grip, Half Wells Grip e Full Wells, outra coisa a ser notada e válida como dica, é o tipo do material empregado no Grip, os de cortiça é notoriamente utilizada nas varas de boa qualidade.

Hook Keeper
- Argola de metal utilizada para prender a isca quando não esta sendo utilizada.

Stripping Guide - Primeiro passador de linha da vara, tendo como característica seu maior diâmetro e mais reforçado, composto de metais leves e revestido internamente de cerâmica para facilitar o “deslisar” da linha.

Snake Guide - São as passadeiras onde passam, ao longo da vara, a linha, se difere pelo seu formato em "S" , oferencendo apoio e menor atrito possível, são feitos de metais leves.

Ferrule - Encaixe destinado em unir as partes da vara, sendo do tipo macho/fêmea, na sua montagem e desmontagem devemos observar todo cuidado possível para que não torçamos no ato da conexão e desmontagem, pois prejudicaríamos, com o tempo, o material do revestimento.

Tip Top - Encontra-se na ponta da vara (ponteira), se difere também pelo seu formato em circunferência, podendo ser maior ou igual ao restante dos passadores, dependendo dos fabricantes, é composta de metais leves.

Fighting Butt - É uma peça arredondada que se encontra no inferior do cabo da vara, sua utilidade é para que possamos apoiar e proteger o nosso corpo na hora de lutar com um peixe mais brigador.

 Potência da vara quando o peixe é fisgado.


Ações das varas relacionadas com o tipo de blank.


Relação das cargas utilizadas nas varas.


Tipos de varas condicionadas em suportes giratórios.


 Varas de Fly.


 Varas de bamboo.


 Varas de carretilha com cabo de cortiça.


 Varas com passadores de roldanas.


 Varas de carretilha com cabo de EVA.


 Varas telescópicas.


Varas de molinete com cabo de EVA.












   

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

TUCUNARÉS
(Cichla spp.., Família Cichlidae)

A importância deste grupo de peixes pode ser demonstrada por sua principal credencial: eles são o principal símbolo da pesca esportiva do Brasil para o mundo.

Os Tucunarés são peixes de escama, de corpo alongado e discretamente comprimido lateralmente. Estão entre os peixes de maior importância para a pesca amadora e para a alimentação no Brasil. Atualmente, existem 15 espécies cientificamente descritas, mas esse número deve aumentar à medida que novas pesquisas forem conduzidas. São nativos da bacia amazônica e do Tocantins-Araguaia, mas foram introduzidos em todas as demais regiões. A princípio, o processo de introdução foi feito até por órgãos governamentais, que acreditavam, por falta de informações, que o tucunaré seria um bom agente de controle biológico contra outras espécies, como tilápias e as piranhas, bem como para incrementar a produção pesqueira nos lagos das usinas hidroelétricas. Posteriormente, escapes de pisciculturas e introduções por parte dos próprios pescadores contribuíram para sua difusão pelo país. Existem estudos no Brasil indicando a possibilidade de desaparecimento de espécies nativas depois da introdução dos tucunarés. Contudo, deve-se salientar que em alguns locais, principalmente nos reservatórios, eles são os principais peixes explorados comercialmente, gerando emprego e renda para milhares de pessoas.
A coloração e o tamanho dos tucunarés variam de acordo com a espécie.

São elas:

Tucunaré - Açu (Cichla temensis): é a maior das espécies de tucunaré, podendo chegar a mais de um metro e 12 Kg. É encontrado exclusivamente na bacia amazônica, nos chamados rios de água preta. Tem o corpo alongado e comprimido discretamente. A boca é grande e protrátil, recoberta por inúmeros pequenos dentes que se parecem uma lixa. No corpo aparecem 3 faixas escuras bem definidas verticalmente podendo eventualmente aparecer uma quarta faixa. O macho desenvolve uma protuberância na parte superior da cabeça e suas cores sao mais fortes que as da fêmea, além de atingirem maior tamanho. 

O recorde homologado pela IGFA é de 12,2 Kg, capturado no Rio Negro, AM em 1994.
O que come: basicamente peixes.
Quando e onde pescar: no período seco, durante o dia, nos rios de água preta da bacia do rio negro.
Status de conservação: em alguns locais, os grandes exemplares já nao existem mais, devido a grande pressão de pesca.

Dica de pesca: Os igarapés e as bocas de lagoas costumam render os maiores exemplares de açus. Em épocas de águas muitos baixas, procure as lagoas perenes e faça arremessos com grandes iscas de superfície em direção ao meio do lago. É onde os grandes casais costumam ficar. Iscas de superfície, hélices, zaras e stics são muito atraentes. Meia água com barbelas e de fundo como jigs, e shads jigs também são uma boa pedida quando os peixes estão "manhosos".

 
Cichla temensis  - Tucunaré Açu

Cichla temensis - Tucunaré Paca

 Ainda existem mais espécies dos tucunarés encontradas ao redor do Brasil como:

Tucunaré Amarelo (Cichla monoculus, Cichla ocellaris, Cichla kelberi, Cichla pleiozona e Cichla nigromaculata).

Popularmente também recebem o nome de popoca ou tauá, dependendo da região. A maioria é de ocorrência natural da bacia amazônica, apesar de cada uma parecer estar restrita a uma determinada região ou afluente. C. monoculus é a mais abundante e ocorre em toda calha dos rios Solimões e Amazonas e nas desembocaduras de seus principais afluentes. C. ocellaris está presente no alto do rio Branco e em alguns rios costeiros nas Guianas e Suriname. O amarelinho exclusivo do alto rio Madeira e seus formadores, Guaporé e Mamoré, é C. pleiozona. Na bacia do Tocantins - Araguaia, está presente o C. kelberi. Já o C. nigromaculata descrito no alto rio Negro e também no orinoco, na Venezuela.

Cichla kelberi - Popoca


Cichla mirinae - Tucunaré - Fogo


Cichla ocellaris - Tucunaré-Amarelo


 Cichla orinocensis - Tucunaré Borboleta


Cichla nigromaculata - Tucunaré taua


Cichla pinima - Tucunaré recentemente descrito


Cichla Vazzoleri - Tucunaré de Balbina/Jatapu


Cichla Pleiozona - Tucunaré Popoca


Cichla monoculus - Tucunaré Popoca


Cichla melaniae - Tucunaré do Xingu


Tucunaré Azul (Cichla piquiti): é a única espécie que não tem ocorrência na bacia amazônica. Nativa das bacias dos rios Tocantins e Araguaia, já foi amplamente difundida pelo Brasil, sendo encontradas nas bacias dos rios Tietê - Paraná, Paraguai, Uruguai e São Francisco. Tem o corpo alto e robusto. Sua coloração varia do cinza ao azulado, mas sempre com as nadadeiras azuis. Possui cinco barras escuras transversais no corpo e uma mancha ocelada na nadadeira caudal. O nome "piquiti" vem do tupi-guarani e significa "listrado". Os jovens têm o corpo cheio de pintas brancas arredondadas, distribuídas assimetricamente. Prefere habitar pontas de grotas, pedreiras e outros locais com estruturas. Caça em cardumes, mas não é raro avistar grandes exemplares sozinhos. Formam casais na época da reprodução, que acontece no início das chuvas. Coloca os ovos em galhos submersos ou no fundo do lago e fica extremamente agressivo nessa época. Muito procurado tanto pela pesca amadora quanto profissional e sua exploração massiva parece estar colocando em risco os estoques existentes. Estudos recentes efetuados pelo IBAMA no lago de Serra da Mesa, em Goiás, mostram que a situação do estoque deste peixe ainda é boa, contudo o tamanho médio dos peixes capturados está abaixo do esperado para a espécie, o que indica uma retirada excessiva dos grandes exemplares.

Dicas de pesca: Represas, ilhas de pedra, prolongamentos de pontas de terra e enseadas rasas com estruturas são os locais mais promissores. A parceria entre os pescadores, com um deles usando isca de superfície (para "levantar os peixes") e o outro usando iscas de meia-água, aumentam a produtividade da pesca. Em locais mais fundos, jigs variados são boas opções.

Cichla piquiti - Tucunaré azul